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O Plano de Desenvolvimento e a Procrastinação que atrapalha a carreira

Um estudo da U.S. News and World Report apresenta um número interessante: cerca de 80% das metas e objetivos são abandonadas quase 1 mês depois de iniciadas.

Poderíamos listar vários motivos para que isso ocorra, mas, a principal razão é quase unânime: a procrastinação.

Procrastinar significa deixar para depois, ou, como dizem, “empurrar com a barriga”.

Nesse mundo acelerado, deixar o que é importante para depois é algo muito arriscado. A explicação é simples: se tudo avança rapidamente, ficar parado é a mesma coisa que ficar para trás. Ficar adiando as coisas é muito perigoso porque, quando nos damos conta, pode ser tarde demais. Basta estacionar e pronto! Oportunidades passam e a gente nem vê.

A mesma coisa acontece quando o assunto é desenvolvimento de nossa carreira e nossos aprendizados. Será que você não tem procrastinado quando o assunto é “você”?

O problema é que podemos estar em um círculo vicioso e nem percebemos. Sabe aqueles ratinhos de gaiola? É como se estivéssemos correndo naquela roda sem sair do lugar. A gente cansa, se estressa, fica esgotado e chega em lugar nenhum. Que tal transformar nossa conduta em um círculo virtuoso?

Tudo começa com uma regra importantíssima: foque o que é importante antes de se tornar urgente.

Coisas urgentes são aquelas que requerem uma atenção imediata. Eu preciso fazer agora e não posso deixar para depois. Coisas importantes têm alto valor agregado e podem ajudar muito nos meus objetivos e resultados. É claro que tem coisas que são urgentes e importantes ao mesmo tempo, mas, da mesma forma, tem coisas que só são urgentes e nem sempre agregam valor. Só fazem a gente perder tempo.

Quando buscamos nosso autodesenvolvimento, alguns problemas são comuns. Um deles é a nossa tendência a cuidar do que é urgente e deixar de lado o que é importante.

Todo mundo concorda que aprender coisas novas e mudar nossas atitudes para melhor é algo importante, não é? É aí que esconde o problema.

Muitas coisas que colocamos em nosso plano de desenvolvimento individual são altamente relevantes para nossa performance mas, por não requererem ações emergenciais, não garantimos a sua execução no momento mais adequado, deixando sempre para a última hora. Ou então, nem fazemos. Ou fazemos apenas para “cumprir tabela”, sem dedicação e sem resultados.

Se queremos ter sucesso e desenvolver nossas competências, é necessário planejar um espaço na agenda para colocar em prática as coisas importantes antes que se tornem urgentes. Muita coisa que é urgente hoje, foi algo apenas importante no passado e não demos a atenção necessária.

Só que muita gente certamente está pensando agora: “mas eu não tenho tempo!”. Posso garantir para você que para muitas pessoas isso não passa de um improdutivo hábito de arrumar desculpas.

Vamos ser honestos:

Tempo é questão de prioridade.

Se você priorizar apenas o que é urgente ou, pior ainda, aquilo que não agrega valor, realmente não vai sobrar tempo para ser protagonista na autoconstrução de uma pessoa melhor. É mais fácil dizer que não deu tempo.

A regra é essa: desenvolvimento não é algo que fazemos quando sobra tempo. É algo que requer disciplina, propósito e objetivos para fazer acontecer. Em outras palavras, é preciso transformar essas ações de desenvolvimento em hábitos.

Hábito é aquilo que a gente faz sem precisar pensar muito. É algo que acontece naturalmente. Mas não pense que é fácil construir um hábito positivo. Não basta apenas querer ou ter força de vontade. É preciso tomar uma decisão consciente e estruturar esse propósito em ações. Para isso, seria importante fazer duas coisas essenciais:

Uma delas é estabelecer um plano de ação que vai te levar até onde você deseja. Podemos chamar isso de “planejamento das ações”. Mas a segunda coisa é tão necessária quanto a primeira: tem que executar com qualidade, integridade e disciplina o que propomos.

Sabia que existe uma estrutura ideal para definirmos nossas ações de desenvolvimento? E ela é mais simples do que pode parecer. Basicamente um bom plano de desenvolvimento ou PDI (Plano de Desenvolvimento Individual) trabalha com 3 pontos: “onde eu quero chegar (ou objetivos)”, os “resultados-chaves” e as “ações de desenvolvimento” para chegar lá.

Vamos a esses 3 pontos:

1) Tudo começa com a definição de “onde estou agora e para onde quero ir”. Podemos chamar isso de definição de objetivos. Nesse momento você irá definir “como você é hoje”. Pode escrever seu cargo e atividades principais, mas o mais importante é detalhar um pouco do seu perfil profissional, suas competências e características mais diferenciadoras. Aquelas que vem agregando valor. Além disso, é importante também registrar quais são seus “objetivos profissionais”. Lembre-se que isso não se limita à promoção de cargo ou títulos, mas, principalmente, o que você deseja ser como um profissional diferenciado que agrega bastante valor ao negócio e à sua equipe. A pergunta a ser respondida aqui é: que tipo de profissional eu quero ser?

2) Em seguida você vai para a segunda etapa, que é a definição de resultados-chave. Existe uma metodologia bastante usada na atualidade que foi popularizada no mundo pela empresa Google, que é o OKR, que em português significa “objetivo e resultados-chaves”. Se quiser, pesquise mais sobre isso. Nosso propósito nessa etapa é analisar o objetivo que você descreveu e desdobrá-los em resultados essenciais. É como se você fosse quebrar esse objetivo maior em outros resultados pessoais e profissionais que ajudarão no alcance daquilo que você deseja. A pergunta que eu devo responder nesse momento é “o que eu quero alcançar para chegar no meu objetivo?”. Em resumo, os resultados-chave são os objetivos intermediários para chegar no objetivo final.

3) Chegamos na fase essencial para definirmos as ações. Essa é a etapa do “como fazer” que são as ações específicas para o meu aprendizado e desenvolvimento. Entenda que cada resultado pode ser desdobrando em uma ou mais ações. Considere que as ações são exatamente as atividades de aprendizado que vamos realizar, o que pretendemos estudar, as atitudes que vamos ter e como faremos isso.

É claro que, ao fazer o exercício acima, não é garantia de que tudo será perfeitamente executado, afinal, o plano de desenvolvimento é apenas o primeiro passo, lembra? A execução dele vai requerer outras habilidades. Entretanto, quando eu faço dessa forma eu deixo tudo mais tangível, meu cérebro começa a trabalhar com a vontade de realizar e o planejamento claro vai me ajudar a acompanhar meus resultados.

Busque detalhar o que, como e quando. E lembre-se: o PDI é vivo e contínuo, afinal o seu desenvolvimento é constante, logo as ações vão sofrendo modificações conforme realizadas e vão evoluindo. Isso é “desenvolver-se”!

Por MARCELO DE ELIAS, que é mestre em inovação e design com MBAs em Estratégia, Gestão de Pessoas, formação internacional em gestão da mudança em tempos desafiadores e pós graduado em neurociências. Conteudista especialista em mudanças, é professor da FGV, FDC e outras escolas de negócios. Escritor e fundador da Universidade da Mudança.

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