Quando o calendário vira, as esperanças se renovam. Mas, na prática, por que tantos planos ficam pelo caminho logo nas primeiras semanas do ano? E o que realmente faz alguém sair do piloto automático e se tornar protagonista da própria história?
Para responder a essas e outras perguntas essenciais, o Grupo Canção Nova de Comunicação convidou Marcelo de Elias, professor, escritor e um dos maiores especialistas brasileiros em mudança, cultura organizacional e comportamento humano.
Com mais de 20 anos ajudando pessoas e empresas a se transformarem, Marcelo tem um jeito inspirador, e ao mesmo tempo muito prático, de traduzir desafios reais em caminhos possíveis.
Nesta entrevista, ele fala sobre a importância de planejar com propósito, explica por que 80% das resoluções de ano novo fracassam em menos de 30 dias, revela como nossos sabotadores internos atuam e compartilha estratégias que servem tanto para quem quer evoluir na carreira quanto para quem busca mais equilíbrio e sentido na vida.
Prepare-se para reflexões importantes, insights aplicáveis e algumas metáforas surpreendentes, tudo isso com a naturalidade e o brilho de uma boa conversa de rádio.
Se você quer fazer de 2026 um divisor de águas, vale a pena ler cada resposta com calma… e se permitir começar a mudança hoje
A entrevista foi conduzida pelo radialista Daniel Gonçalves.
O que o você considera essencial refletir antes de traçar metas para um novo ano?
Marcelo de Elias: Antes de traçar metas, a primeira coisa é parar pra pensar com consciência. Muita gente trata o planejamento do ano como quem compra uma agenda nova: cheira a página, escreve umas frases bonitas… e em três semanas já largou tudo.
Antes de perguntar “o que eu quero pra 2026?”, o ideal é perguntar:
“De onde eu estou partindo e por que isso é importante pra mim agora?”
O planejamento começa olhando pra trás, entendendo o que funcionou, o que não andou e o que se repetiu. É como nas empresas: ninguém monta o plano estratégico sem olhar os resultados do ano anterior. Na vida pessoal deveria ser igual, só que a gente tem mania de pular essa parte e ir direto pro sonho.
Depois, é importante separar o desejo da meta. “Quero ser mais saudável” é bonito, mas é vago. Pra virar meta, precisa de clareza: quanto, até quando e por quê. E, principalmente, precisa ser uma meta sua, não da moda ou da comparação com os outros.
Outro ponto é respeitar o momento da vida. Tem fases em que o trabalho exige mais, outras em que a família pede mais presença. O que importa é ter coerência com o seu contexto atual e não com um ideal de quem você “acha que deveria ser”.
Algo que eu gosto muito de fazer é definir um “tema do ano”.
Pergunte-se: “Se 2026 tivesse um título, qual seria?” Pode ser “o ano da coragem profissional”, “o ano da saúde integral”, “o ano do reencontro comigo mesmo”. Esse tema vira um filtro: ajuda a escolher o que entra e o que sai da sua agenda.
Por fim, a pergunta mais poderosa: “Quem eu quero me tornar?”
Porque meta de verdade não é só sobre o que você quer conquistar, é sobre quem você precisa ser pra chegar lá.
Em resumo, o calendário muda sozinho, mas a transformação real só acontece quando você decide sair do modo “executor de tarefas do ano novo” e assume o papel de autor da sua própria estratégia de vida.
Por que é importante alinhar o planejamento pessoal com o propósito de vida?
Marcelo de Elias: Alinhar o planejamento com o propósito é fundamental, e a prova disso é o que a gente vê todo ano: 80% das promessas de fim de ano são abandonadas já no primeiro mês. Inclusive existe até um dia apelidado de “Dia da Desistência”, que costuma cair ali pela segunda sexta-feira de janeiro. É o momento em que boa parte das pessoas simplesmente larga o que tinha prometido.
E por que isso acontece? Porque muita gente faz metas desconectadas daquilo que realmente importa. Faz porque viu alguém fazendo, porque ficou bonito na agenda nova, porque parecia uma boa ideia… mas não tinha verdade, não tinha raiz, não tinha propósito.
Quando o planejamento não conversa com o propósito, ele vira só tarefa. Aí cansou, apertou, ficou difícil… a pessoa desiste. Agora, quando tem propósito, tem sentido, e quando tem sentido, tem sustentação.
Propósito é como uma bússola emocional: te mantém na direção mesmo quando o terreno fica irregular. Ele ajuda a escolher o que entra na sua vida e o que é só distração com cara de oportunidade.
Então, por que alinhar planejamento e propósito?
Porque sem propósito você só cumpre agenda; com propósito, você constrói caminho.
E quando as metas fazem sentido pra você, não pros outros, não pro Instagram, a chance de desistência diminui absurdamente.
No fim das contas, não é sobre ter metas bonitas, é sobre ter metas verdadeiras. Quando o propósito guia, você para de viver no impulso e começa a viver com intenção.
Muitas pessoas começam o ano motivadas, mas desistem ao passar do tempo. O que falta para transformar intenção em hábito?
Marcelo de Elias: Muita gente começa o ano empolgada, mas a motivação é igual fogos de artifício: bonita, intensa… e rápida. O que realmente transforma intenção em hábito não é motivação, é sistema.
A maioria tenta mudar contando só com força de vontade e aí não aguenta. A força de vontade é uma bateria que descarrega. Hábito é o carregador.
O que eu sempre digo é: comece pequeno e consistente. Ritual mínimo viável. Em vez de prometer correr 10 km, começa com 10 minutos de caminhada. Em vez de ler um livro por semana, lê duas páginas por dia. O importante é a repetição, não o tamanho.
E tem outra coisa: você precisa criar o ambiente certo. Se o livro fica escondido na gaveta, você não lê. Se a geladeira tá cheia de tentações, você não muda a alimentação. O ambiente precisa trabalhar a seu favor.
Agora, o ponto mais profundo: mudar não é só fazer diferente, é ser diferente.
Quando você passa a se enxergar como “uma pessoa que cuida da saúde”, “uma pessoa disciplinada”, “uma pessoa que aprende”, o hábito deixa de ser um esforço e vira identidade.
Então, pra transformar intenção em hábito, é isso: menos heroísmo e mais método; menos impulso e mais consistência; menos força e mais estratégia. É o dia a dia que muda a vida, não a empolgação de janeiro.
Quais são os principais sabotadores internos que impedem as pessoas de mudarem de verdade?
Marcelo de Elias: Quando a gente fala de mudança, o maior desafio não é aprender algo novo, mas sim, lidar com os sabotadores internos. A mudança costuma ser barrada aqui dentro, não lá fora.
O primeiro deles é o medo: medo de errar, de ser julgado, de dar certo e depois não saber sustentar. O medo é esperto, ele cria justificativas elegantes pra você continuar na zona de conforto.
O segundo é o perfeccionismo. Ele parece virtude, mas trava muita gente. A pessoa acha que só pode começar quando tudo estiver perfeito… e como esse dia nunca chega, ela não começa.
Outro sabotador muito comum é o autoengano. Aquele famoso “segunda-feira eu começo”. Você até sente que está no caminho, mas na prática não saiu do lugar. É a procrastinação com gravata.
E tem também a tal lealdade ao passado. Muita gente não muda porque está presa a uma identidade antiga: “eu sempre fui assim”, “na minha família ninguém faz isso”, e por aí vai. São contratos invisíveis que seguram a pessoa no mesmo ponto.
O importante é entender que esses sabotadores não querem te prejudicar. Eles querem te proteger do desconhecido.
A saída é trazer tudo isso pra consciência, dar nome ao que te trava e criar pequenas rotinas que sustentem o novo comportamento.
Em resumo: ninguém muda porque não sabe o que fazer; as pessoas não mudam porque ficam presas às próprias histórias. E quando você começa a reescrever essas histórias, a mudança finalmente acontece.
Como equilibrar metas profissionais e pessoais no mesmo planejamento?
Marcelo de Elias: Equilibrar metas profissionais e pessoais é entender que a vida não tem gavetas separadas. É tudo junto e misturado, e, se uma área desaba, respinga na outra.
O que eu sempre digo é que equilíbrio não é dividir tudo meio a meio; é saber onde colocar energia em cada fase. Tem momento em que o trabalho pede mais, tem momento em que a vida pessoal exige prioridade. E tudo bem, desde que isso seja consciente, e não automático.
Outro ponto importante: não é só sobre gerir tempo, é sobre gerir energia. Se você está esgotado, até o lazer vira cansaço. Então, planejar descanso e prazer é tão estratégico quanto planejar metas de resultado.
E tem algo simples que ajuda muito: presença total. Quando estiver trabalhando, esteja inteiro no trabalho. Quando estiver com a família, esteja inteiro lá. O problema não é trabalhar muito, é trabalhar enquanto tenta viver a vida, e aí não faz bem nem uma coisa nem outra.
Por fim, as metas precisam conversar entre si. Exercício melhora o trabalho, boas relações melhoram a performance, cuidar da mente melhora a produtividade. Quando o pessoal alimenta o profissiona, e o profissional fortalece o pessoal, o equilíbrio aparece.
No fim do dia, equilíbrio não é fazer tudo. É fazer o que importa, no momento certo, do jeito certo.
Qual conselho o senhor daria para quem quer fazer de 2026 um ano realmente transformador?
Marcelo de Elias: Se eu pudesse dar um conselho pra quem quer fazer de 2026 um ano realmente transformador, eu diria o seguinte: não espere que esse novo ano possa te mudar: mude você. O calendário vira sozinho, mas a vida só vira quando a gente vira junto.
Em vez de pensar só no que você quer conquistar, pense em quem você quer se tornar. Porque a identidade puxa o comportamento, e o comportamento puxa os resultados.
Outra coisa importante: nada de metas mirabolantes. Transformação não é sobre exagero, é sobre consistência. Pequenos passos diários fazem muito mais diferença do que grandes promessas de janeiro.
E tenha clareza: transformação exige coragem, mas também exige paciência. A gente vive na cultura da pressa, querendo resultado em 48 horas, mas crescimento humano não tem atalho.
E por fim: esteja desperto. Não viva no piloto automático.
Quando você decide viver com intenção, e não por inércia, qualquer ano se torna um divisor de águas.
2026 só será diferente se você também for. A mudança não começou no dia 1º de janeiro. Ela começa no dia em que você decide assumir o volante da própria vida.

MARCELO DE ELIAS é LinkedIn Top Voice, mestre em Inovação e Design, com MBAs em Estratégia (USP) e Gestão de Pessoas (FGV), formação internacional em Gestão da Mudança (University of Tampa/EUA), IA para Negócios (ISCTE – Lisboa/PT) e pós-graduação em Neurociência e Psicologia Positiva (PUC).
É professor da FGV, FDC e outras escolas de negócios, além de escritor e fundador da Universidade da Mudança. Reconhecido como pioneiro no tema Inner Skills no Brasil.
Já apoiou líderes e empresas como GPA/Pão de Açúcar, Cobasi, Neoenergia, Leroy Merlin, Carrefour, MSD/Merck, GM, Fiat, Raízen/Shell, SBT, Caixa, Bradesco, Unilever, Sebrae, Sabesp, Ministério Público, entre outros. Mantém NPS de 100% e é destaque em premiações como Top5 CBTD, Top5 KLA e Melhor Palestrante de Gestão da Mudança pela Associação Brasileira de Liderança.
Suas palestras não são “produtos de prateleira”: são projetos customizados, pensados para a realidade cultural, os desafios estratégicos e o perfil de cada público.
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